Gerald Thomas encena “SABIUS, Os Moleques” a partir de 26 de novembro, no Teatro Raul Cortez – Sesc 14 Bis, em São Paulo.
Inspirado no livro “Quarto de despejo” de Carolina Maria de Jesus e no clássico de Joseph Conrad “Heart of Darkness” (em português “Coração das Trevas”) – que serviu como inspiração para o filme Apocalypse Now – e também no que chama de “regime da loucura oficial” que vitimiza o mundo na atualidade, o autor e diretor Gerald Thomas constrói em “SABIUS, Os Moleques” uma dramaturgia autoral que faz reverberar sua visão atenta e crítica para o mundo atual. A estreia nacional será em 26 de novembro de 2025, no Teatro Raul Cortez – Sesc 14 Bis.
Na trama, um planeta Terra que sucumbiu à humanidade comete suicídio e cai de sua órbita em uma cratera de outro mundo. Ali, cinco sábios, historicamente de eras distintas (caracterizados pelos seus respectivos períodos históricos), depõem a respeito dos momentos que antecederam ao “acidente” sofrido pela Terra e discutem entre si. Eventualmente são interrompidos por fragmentos de algumas coisas preciosas concebidas pela humanidade – música, pintura, literatura, etc. –, relíquias despedaçadas que sobraram de todos os tempos condensados, perdidas no espaço, mas que ficam se repetindo em looping durante suas discussões.

“Vamos dizer que esse quarto de despejo da Carolina Maria de Jesus estivesse montado no barco onde Joseph Conrad está subindo o Rio Congo, assistindo impotente as atrocidades que aconteciam diante dele, sem saber como reagir às desgraças do mundo.” –Gerald Thomas
Assim, o novo espetáculo de Thomas parte de seu olhar atento e crítico para o presente, tendo como background o passado horrendo de guerras, holocausto, da humanidade desde sempre promovendo um morticínio a si própria, do lucro como regra, das religiões uma contra as outras, da limpeza étnica, da supremacia branca hétero masculina e tantas outras crueldades.

“Não é nada como o Terceiro Reich. É muito pior… SABIUS é o pós de tudo isso; é o encontro do que sobrou”. –Gerald Thomas
Com a estreia de “SABIUS, Os Moleques”, Gerald Thomas vai estar com três espetáculos em repertório, os outros são “CHOQUE! Procurando Sinais de Vida Inteligente” com Danielle Winits, ambos em circulação pelo Brasil e “Traidor” com Marco Nanini. Mas o diretor tem novos planos para 2026: “Fogo Alto” solo da atriz Ana Cecília Costa e espetáculo com um grupo de Teresina, no Piauí.
“O que terá importância, durabilidade, memória, hoje em dia? Um buraco negro… Sábios sobram, sábios sobram…” –Gerald Thomas

GERALD THOMAS, autor e diretor
Formado em Filosofia e História pelo Museu Britânico, na Inglaterra, Gerald Thomas é um renomado diretor de teatro e ópera. Encenador multimídia, cujas habilidades alcançam a dramaturgia, iluminação, cenografia, figurino, desenho, pintura e música, é reconhecido por sua linguagem cênica provocadora, experimental e intelectualmente desafiadora. Nascido em Nova York (EUA), em 1954, viveu parte da infância e adolescência no Brasil. Atuando entre Estados Unidos, Brasil e Europa, Thomas construiu uma carreira internacional marcada pela ruptura de convenções estéticas e pela fusão entre teatro, filosofia, literatura, música e artes visuais. Sua obra é marcada pelo hibridismo e pela desconstrução de narrativas lineares. Em cena, explora o colapso da linguagem, o vazio da cultura de massas, a fragmentação da identidade e as tensões do mundo contemporâneo. Ele frequentemente mistura textos de autores clássicos com intervenções autorais, projeções, música ao vivo e elementos performáticos. Além do teatro, também atua como escritor e ilustrador, sempre com uma estética crítica, ácida e inquieta. Thomas tinha uma relação pessoal com Samuel Beckett, e parceria muito especial com o compositor Philip Glass e com o autor alemão Heiner Müller.
Nos anos 1980, fundou a Companhia de Ópera Seca, por meio da qual produziu espetáculos que se tornaram referência no teatro contemporâneo brasileiro e mundial, como: Eletra com Creta; CarmenComFiltro; a Trilogia Kafka, com Bete Coelho que, depois de um retumbante sucesso no Brasil, ganhou capa do New York Times, em outubro de 1988, uma longa temporada no La MaMa e foi a atração principal do Wiener Festwochen (Festival de Viena), em 1989, sendo televisionado na íntegra pela ORF, canal estatal Austríaco; também The Flash and Crash Days, com Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, que viajou para 15 países e 12 premieres mundiais de Samuel Beckett no La MaMa e no Brasil. Em 2014 dirigiu Ney Latorraca em Entredentes. Seus espetáculos mais recentes no Brasil foram: Dilúvio, F.E.T.O., Traidor, com Marco Nanini e Choque! Procurando Sinais de Vida Inteligente, com Danielle Winits. Ao longo da carreira, Thomas dirigiu em grandes teatros da Europa e dos Estados Unidos, incluindo o Royal Opera House (Londres) e o Brooklyn Academy of Music (Nova York). Gerald Thomas é uma figura central no teatro experimental de língua portuguesa e um artista que desafia os limites da cena, do texto e da representação, mantendo-se, ao longo das décadas, como um criador ousado e visceral. O filósofo Gerd Bornheim o considera, mais do que um propositor de estéticas, “um pensador prático criador de uma Poética, ou seja, de um modo de produzir o novo”.
FABIANA GUGLI, atriz de mais longa parceria com Gerald Thomas

Atriz, com formação em Artes Dramáticas pela EAD/USP e dança clássica e moderna, Fabiana Gugli entrou para a Cia. de Ópera Seca em 1999 – 26 anos atrás –, tendo atuado em 15 espetáculos dirigidos por Gerald Thomas: os solos G.A.L.A. (2021) e Terra em Trânsito (indicada ao Prêmio Shell de Melhor Atriz 2006), os espetáculos F.E.T.O. (indicada ao APCA Melhor Atriz 2022), Rainha Mentira (2007), Um Circo de Rins e Fígados (2005), Ventriloquist (1999), Deus Ex-Machina (2001), Luartrovado (2007), Nietzsche x Wagner (2000), O Príncipe de Copacabana (2001), Esperando Beckett (2001), Tragédia Rave (2000), Anchorpectoris (La MaMa/NY, 2004), Kepler, the dog (2008) e a ópera Tristão e Isolda (2003). Ainda em teatro, fez o musical Elvis – A Musical Revolution, Refúgio (indicada ao Prêmio Shell Melhor Atriz 2018), Os 39 Degraus, Travesties, Huis Clos e O Tartufo. Em cinema, participou dos longas O Banquete, com direção de Daniela Thomas, Não Pare na Pista, de Daniel Augusto, O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia, entre outros. Alguns de seus trabalhos em TV incluem as minisséries Passaporte para a liberdade, PSI, Unidade Básica, Amorteamo, O homem da sua vida, Família Imperial, Dicas de um Sedutor e Supermax.
JEFFERSON SCHROEDER, ator – Ator formado pela CAL (RJ). Vencedor do Prêmio do Humor (2018) por A Produtora e a Gaivota, dirigido por João Fonseca. Atuou na Cia OmondÉ e em peças como O Livro dos Monstros Guardados e Antes que a Definitiva Noite se Espalhe em Latino América. Trabalhou na Netflix (Acorda, Carlo! e B.O.) e em filmes como Minha Mãe é uma Peça e Pérola. É também autor do livro O Ponto e narrador de O Guia do Mochileiro das Galáxias e Pedro e o Lobo para a Orquestra Sinfônica da Suíça.
APOLLO FARIA, ator – Ator formado pela Fundação das Artes de São Caetano do Sul e pelo CPT de Antunes Filho, Apollo trabalhou com diversos profissionais renomados como: Antunes Filho, Gerald Thomas, Antônio Abujambra, Judith Malina/The Living Theater, Catherine Marnas/Compagnie Dramatique Parnas e Christoph Schlingensief. Com o passar dos anos, Apollo se aprimorou como dançarino, modelo, produtor, diretor teatral e sound designer.

NILSON MUNIZ, ator – Ator formado pela Fundação das Artes e licenciatura em Teatro pela UniÍtalo, Nilson integrou o CPT de Antunes Filho e, no exterior, colaborou com Din-A13 Tanzcompany (Alemanha), Cia João Garcia Miguel (Portugal), Clipa Theater (Israel) e foi artista convidado do projeto MaTerre em Matera – Capital Europeia da Cultura 2019 (Itália). Atua em teatro, música, performance e audiovisual.
PEDRO INOUE, ator – Ator com 25 anos de carreira, formado pelo CPT e pelo ACT, Pedro integrou os grupos Wisła e Arte da Comédia, com destaque para os monólogos “É o Povo que Sustenta o Brasil!”, de Roberto Innocente e “Odisseia canto XIII” da Ilíada de Homero. Trabalhou com Antunes Filho, Gabriel Villela, Aderbal Freire-Filho, Felipe Hirsch,entre outros. Estreou nos palcos com “Estou te Escrevendo de um País Distante” e seu trabalho mais recente é “Sobrevivente”, do Espaço Cênico.
DORA LEÃO, diretora de produção – Economista, gestora e produtora cultural. Sócia da PLATÔproduções. Doutora e Mestre em Comunicação e Semiótica/PUC-SP. Recebeu os Prêmios APCA (2007) e Denilto Gomes (2024) de Produção em Dança, além do Prêmio Melhor Trabalho em Equipe na Quadrienal de Praga (2023). Atua na difusão de artistas, espetáculos e projetos nacionais e internacionais no Brasil e no exterior. Desde 2009 colabora com Gerald Thomas em seus projetos no Brasil.
WAGNER PINTO, iluminador – Iniciou sua trajetória como Lighting Designer em 1982. Ao lado de Gerald Thomas desde 1986 na Cia. Ópera Seca. Recebeu o Prêmio Shell de Teatro: 1994 “Penteseléias” (dir. Daniela Thomas e Bete Coelho), 2016 “A Máquina Tchekhov” (dir. Denise Weinberg e Clara Carvalho), 2018 “Dilúvio” (de Gerald Thomas). Em 2010, Prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem “Quem Tem Medo de Curupira?” (dir. Débora Dubois). Em 2012, Prêmio Carlos Gomes de Ópera e Música Erudita “L’Efant et les Sortilèges“ (dir. Lívia Sabag).

JOÃO PIMENTA, figurinista – Começou sua história na moda em São Paulo (1987). É um dos principais nomes da moda masculina e alternativa. “O principal discurso do meu trabalho transita entre a relação masculino x feminino / pobre x rico. O processo criativo acontece de forma orgânica, muitas vezes refletindo o ambiente e situações atuais. A moda como arte e o discurso como manifesto.”
FERNANDO PASSETTI, cenógrafo – Arquiteto pela FAUUSP, é cenógrafo. Assinou projetos de óperas para Theatro São Pedro, além de colaborar com coletivos teatrais. Possui extensa pesquisa acerca de novos materiais não usuais na cenografia e como utilizá-los de maneira eficiente. Trabalhou com Gerald Thomas em “Dilúvio”, “F.E.T.O.”, “Traidor” (prêmio Bibi Ferreira 2024) e “Choque – Procurando Sinais de Vida Inteligente”.
FICHA TÉCNICA
TEXTO E DIREÇÃO: GERALD THOMAS ELENCO: APOLLO FARIA, FABIANA GUGLI, JEFFERSON SCHROEDER, NILSON MUNIZ E PEDRO INOUE DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: DORA LEÃO DESENHO DE LUZ: WAGNER PINTO CENOGRAFIA E DIREÇÃO TÉCNICA: FERNANDO PASSETTI FIGURINOS: JOÃO PIMENTA VISAGISMO: LEILA TURGANTE ADEREÇOS: VICTOR AKKAS TRILHA SONORA: GERALD THOMAS MÚSICAS: TOM ZÉ SONOPLASTIA: MARCELO ALONSO NEVES ARTISTA VISUAL – PINTURA: RINALDO ESCUDEIRO ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO: DAVID SPILLEIR ASSISTENTE DE ILUMINAÇÃO: GABRIEL GREGHI ASSISTENTE DE CENOGRAFIA: NAARA BARTZ ASSISTENTE DE PALCO: RAFAEL GAMBOA OPERADOR DE LUZ: JULIO GREGHI OPERADOR DE SOM: DANTE DANTAS MAQUINISTAS: ALEX PINHEIRO E VICTOR PINHEIRO CENOTÉCNICOS: VANDO BALDUINO, NEIDE CECILIA E ZÉ DAHORA MICROFONISTA: CONTRARREGRA: DEMI ARAÚJO CAMAREIRA: SONIA MARIA CAETANO COPEIRA: KELEN NEPOMUCENO ASSESSORIA DE IMPRENSA: NEY MOTTA FOTOS DE DIVULGAÇÃO: ROBERTO SETTON FOTO PINTURA: SAMUEL KOBAYASHI ASSISTENTES DE PRODUÇÃO: FERNANDA GAMA, SAMUEL KOBAYASHI PRODUÇÃO E ADMINISTRAÇÃO: PLATÔPRODUÇÕES REALIZAÇÃO: SESC SP
Serviço: Gerald Thomas encena “SABIUS, Os Moleques”, estreia em 26 de novembro, quarta-feira, às 20h. Temporada: 26/11 a 21/12. Quintas, sextas e sábados às 20h00 e domingos às 18h. Sessões extras de 5 a 19/12, sextas-feiras, às 15h00. Sesc 14 Bis – Teatro Raul Cortez. Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 2º andar – Bela Vista, São Paulo. Próximo ao Metrô Trianon-Masp (Linha 2 – Verde). Ingressos: R$ 70,00 (inteira), R$35,00 (meia entrada) e R$ 21,00 (credencial). Acessibilidade: Audiodescrição nos dias 06/12, às 20h e 07/12, às 18h, e Libras nos dias 04 a 06/12 às 20h e 07/12, às 18h. Classificação: 16 anos. Duração: 90 minutos.